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Álcool é perigoso mesmo em dose moderada
Não existe dose sem efeito

Sob qualquer aspecto considerado, o vício - esse condicionamento pernicioso que se impõe como uma 'segunda natureza' constritora e voraz - deve ser combatido sem trégua desde quando e onde se aloje”. Joanna de Ângelis1


            O que era para ser só alegria e festividade transformou-se em tragédia: o saldo final do balanço dos acidentes nas estradas brasileiras no feriado natalino de 2007 foi lamentável: 203 mortos e milhares de feridos!

            É evidente que o alcoolismo deu larga contribuição para este resultado!

            Mas o malefício do álcool é mais abrangente do que se imagina, haja vista um relatório que apareceu discretamente no dia 12 de dezembro de 2007 no site do Instituto Nacional do Câncer (INCa), acerca da interação: “álcool e risco de cânceres” no qual é aconselhada uma redução do consumo de álcool, mesmo quando esse consumo é moderado.

            São muito pífias as atuais políticas de prevenção por parte dos órgãos governamentais. As autoridades da área da saúde já deveriam ter tomado atitudes mais positivas, explícitas e enérgicas para o combate ao alcoolismo. A exemplo do aviso “fumar mata” ou “fumar provoca câncer”, inscrito nos maços de cigarro, parece lógico colocar também essas mensagens nas garrafas de bebidas alcoólicas, trocando simplesmente o verbo fumar por beber. Exagero?!

            Resultado de um trabalho coletivo de especialistas baseado em análises amparadas por conhecimentos científicos, o relatório acima mencionado tem o mérito da clareza:

            Existe uma relação linear entre o consumo de álcool e o risco de câncer? Sim.

            Existe uma dose moderada sem efeito sobre a saúde? Não.

            Certos tipos de bebidas como o vinho e a cerveja têm uma influência menor? Não.

            Pequeno, “mesmo moderado”, o consumo de álcool “aumenta de maneira significativa os riscos de câncer” das vias aerodigestivas superiores (boca, faringe, laringe, esôfago), do fígado, do cólon e do seio.

Limites comumente admitidos

            “Uma pessoa que bebe um a dois copos de bebida alcoólica todos os dias deve reconsiderar sua atitude”, explica Paule Latino-Martel, coordenadora do relatório e da Réseau National Alimentation Câncer Recherche (NACRe). É preciso não somente “reduzir a quantidade de álcool”, mas também “a freqüência do consumo”, porque não existe dose sem efeito.

            Os limites comumente admitidos de dois copos por dia para as mulheres e três por dia para os homens, tanto como a mensagem “beba com moderação”, precisam ser revistos. Ainda mais: enfatiza o relatório que o consumo de bebidas alcoólicas “é a segunda causa de mortalidade por câncer evitável, depois do cigarro”.

            A incidência de cânceres nas vias aerodigestivas (VADs) na França, por exemplo, “é uma das mais elevadas do mundo”. Atualmente, 12% dos franceses com idade acima dos 18 anos declaram consumir álcool cotidianamente.

            Enfim, mesmo a tradicional hipótese de uma relação entre o consumo moderado de vinho e uma redução do risco de doenças cardio-vasculares, está sendo questionada pelos experts.

            Salve-se quem puder! (ou quiser). Só não vale dizer que não houve aviso!

Rogério Coelho / Muriaé - MG
1FRANCO, Divaldo. Após a tempestade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3. ed.Salvador:LEAL, 1985. cap. 9. p.54.