+ Aumentar texto
- Diminuir texto
É certo que não devemos ficar constantemente pensando na morte, mas também é certo que devemos parar alguns momentos da nossa vida para refletir sobre ela. Esquecê-la, como se ela não existisse ou que, efetivamente, ela não ocorrerá conosco é um grave erro. Ora, a morte é a única certeza para o ser vivente, é a única fatalidade que ocorre a todos os seres biológicos.
Confúcio aconselha: “Saibas bem viver e saberás bem morrer”, instigando um ensinamento que não pode ser olvidado.
No Espiritismo sabemos que a morte (extinção da vida física) nem sempre ocorre simultaneamente à desencarnação (desligamento dos laços fluídicos que unem Espírito/Perispírito ao corpo físico), podendo variar de horas, dias, até meses ou anos, dependendo do caso.
“Se é fácil alijar o corpo físico é muito difícil abandonar a velha morada no mundo” afirma Irmão Jacob.1 No estudo que fez do próprio processo de morte/desencarnação, amplamente relatado no livro Voltei, ele afirma que “os elos morais são muito mais fortes que os liames da carne e, se o homem não se preparou, convenientemente, para a renúncia de hábitos antigos e comodidades dos sentidos corporais, demorar-se-á preso ao mesmo campo de luta em que a veste de carne se decompõe e desaparece”.1
A preparação que nos fala Irmão Jacob é o desapego às sensações físicas, aos sentimentalismos desassossegadores e aos velhos hábitos ligados a prazeres materiais, para que no desenlace estas emoções perturbadoras não atrapalhem a libertação entre a alma e o corpo.
Continua o autor espiritual: “E se esse homem complicou o destino, assumindo graves compromissos à frente dos semelhantes, através de ações criminosas, debater-se-á, chorará e reclamará embalde porque as leis que mantém coesos os astros do céu e as células da Terra lhe determinam o encarceramento nas próprias criações inferiores.
Se o bem salva e ilumina, o mal perde e obscurece.”1
E aconselha-nos Jacob: “Livremo-nos do débito, para que não venhamos a mergulhar no resgate laborioso, e corrijamos o erro, enquanto é hora favorável, evitando a retificação muitas vezes dolorosa.”1 (os grifos são nossos)
Desembaraçar-se do corpo grosseiro, portanto, não é mera libertação da alma que se desvencilha dos laços carnais, mas processo mais ou menos longo que depende do auxílio de Espíritos especializados, das condições morais do indivíduo, podendo ser favorecido pelas preces e bons pensamentos dos amigos que ficam.
Saber dar um objetivo útil à vida, eximir-se do egoísmo, procurar ter ações enobrecedoras no bem, na caridade e no amor ao próximo, certamente proporcionarão uma boa vida na Terra, uma “boa morte” e, consequentemente, uma posição favorável no plano espiritual, preparando-se para futuras jornadas evolutivas no campo da matéria, no aprendizado reencarnatório.
Luis Roberto Scholl
1XAVIER, Francisco C. Voltei. Pelo Espírito Irmão Jacob. 23 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. p. 63-64.