Em sua acepção etimológica, milagre significa coisa admirável, extraordinária. Em seu sentido usual, a palavra perdeu o sentido original, passando a designar algo sobrenatural, que derroga as Leis Divinas. Deus não revoga suas leis, pois sendo elas perfeitas, não há motivo para alterá-las.
Jesus também não fez milagres, no sentido usual; não derrogou as Leis Divinas. Ele fez, sim, coisas admiráveis, mas que pertencem à ordem dos fenômenos psíquicos. Sendo um espírito de grande evolução, conhecia e utilizava os bons fluidos para curar.
O Cristo, como espírito puro, agia como "Médium de Deus", utilizando amor, sabedoria, bondade e conhecimento das Leis de Deus como instrumentos de cura. Ele dizia, ao curar leprosos, paralíticos, cegos: "A tua fé te salvou". Referia-se à fé como força atrativa, que torna o doente receptivo aos fluidos curadores. E alertava: "Vá e não peques mais, para que não te suceda coisa pior!". Lembrando que somente através do equilíbrio espiritual, da mudança de atitudes é que obteremos a verdadeira cura: a cura de nossas mazelas espirituais.
"O maior dos milagres que Jesus fez, aquele que atesta verdadeiramente sua superioridade, é a revolução que seus ensinos operaram no mundo, apesar da exigüidade dos seus meios de ação.
Com efeito, Jesus, pobre, nascido na condição mais humilde, entre um povo pequeno, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, não pregou senão três anos: (...) Ele não escreveu nada, e, entretanto, ajudado por alguns homens simples como ele, a sua palavra bastou para regenerar o mundo; a sua doutrina matou o paganismo todo-poderoso, e se tornou a chama da civilização. Tinha, pois, contra ele tudo o que pode fazer os homens fracassarem, por isso é que dizemos que o triunfo de sua doutrina é o maior de seus milagres, ao mesmo tempo que ele prova a sua missão divina. Se, em lugar de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, não tivesse a oferecer à posteridade senão alguns fatos maravilhosos, talvez mal fosse conhecido de nome hoje."
A Gênese Capítulo XV, item 63
Publicado no Seara Espírita, ano V, nº 49, dezembro 2002.