Como espíritos imortais, na busca de virtudes eternas, é fundamental analisar o exemplo do Cristo. É através desse roteiro divino que podemos conquistar os sentimentos de humildade, fraternidade, otimismo, perseverança, caridade e amor. Por meio de pequenas ações de respeito, tolerância, solidariedade e palavras de conforto e esclarecimento que a violência, a agressividade e o desejo de vingança vão sendo, gradativamente, neutralizados em nós.
Cleto Brutes
Publicado no Seara Espírita, ano V, nº 59, outubro 2003.
No entanto, quando estudamos o evangelho de Jesus, o grande desafio é saber interpretar a mensagem que ele quer transmitir através das suas parábolas e dos seus sermões.
Diante da ofensa. Quando Jesus nos ensinou a não resistir ao mal e a oferecer a outra face, não estava proibindo a defesa, mas condenando a vingança. Mostrou que precisamos ter a coragem de enfrentar o mal, mas equipados com o bem. Aconselhava que nenhum discípulo retribuísse violência por violência; pois, enfrentar a crueldade com vingança é perpetuar o ódio. Jesus ensinou que forte não é o vencedor de fora, mas o vencedor de dentro, ou seja, aquele que vence a si mesmo. E que o bem é o único dissolvente do mal, essa é a outra face que devemos oferecer.
Diante do erro. É importante que nos conscientizemos de que jamais poderemos ser juízes dos nossos semelhantes, pois ainda não estamos aptos a avaliar, com discernimento e imparcialidade, as nossas próprias ações, e muito menos capacitados a julgar as ações do próximo. E, não raro, somos severos com os erros dos outros e muito tolerantes com os nossos próprios erros.
Na conquista da paz. Precisamos compreender que, para obtermos a paz interior, é necessário percorrer o caminho da compreensão, da indulgência e do perdão, sem esperar que esses sentimentos sejam de iniciativa dos nossos semelhantes; e que preceitos como “Fora da Caridade não há salvação” estejam presentes em todas as nossas ações, a começar pelos nossos pensamentos.
O destino em nossas mãos. Felizmente, a escolha do caminho a ser seguido é, exclusivamente, nossa e a responsabilidade pela escolha também. Com persistência e força de vontade procuremos progredir a cada instante, não para sermos melhores que os outros, mas para sermos melhores hoje do que fomos ontem; e amanhã, melhores do que somos hoje, superando-nos em caridade e amor a cada dia.
Nosso instrumento. Através da prece acionamos poderoso instrumento capaz de fortalecer a nossa vontade. A prece não modifica as situações que temos que passar, mas nos fortalece interiormente, dando-nos a resignação e a coragem que precisamos para enfrentar as nossas fraquezas e imperfeições.