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“O jovem padre, recém saído do seminário, havia sido designado para aquela pequena e simpática cidade interiorana. Levava ainda fresco na memória todo o aprendizado cristão da prática do amor e do perdão. O que o esperava em sua nova missão?
Ao chegar ao belo lugarejo, buscou informações com o sacerdote que se despedia sobre as pessoas e o ambiente de trabalho. Ficou sabedor que era um lugar tranqüilo e pacífico, comunidade hospitaleira e muito amorosa, com exceção de duas paroquianas. Helga e Marta não se toleravam e, quando se encontravam, sempre havia confusão. Ninguém se lembrava a origem do rancor, mas as informações da comunidade confirmavam o que o antigo padre contou.
Aquilo serviu como um desafio para o novo vigário: faria tudo para reaproximar as duas fiéis desafetas. Buscou informações sobre ambas, suas qualidades e defeitos e, na primeira oportunidade, foi à casa de Helga. Lá chegando, ao degustar os quitutes oferecidos, entre uma mordida e outra, elogiou as gostosas bolachas oferecidas pela anfitriã, e comentou que havia uma outra conterrânea, Marta, que também era uma ótima cozinheira: - Você não concorda? perguntou o padre.
Isto era uma verdade e, Helga não querendo mentir, teve de concordar com a informação:
- Sim, boa cozinheira ela é, pena que tenha mau gênio.
Trinta minutos depois foi à casa de Marta, cheio de boas intenções: durante o chá oferecido, falou para a dona da casa que há pouco tempo havia ouvido um elogio:
- Dona Helga falou bem da senhora. Disse que a senhora é uma boa cozinheira.
Aquilo a deixou desconcertada - Como pode? A minha inimiga me elogiou? - pensou consigo mesma. Para não ficar constrangida, também elogiou as qualidades de doceira da outra.
Sem perder tempo, o padre levou o novo elogio para a primeira e começou assim, entre idas e vindas, ser o mensageiro de amabilidades. Dentro de pouco tempo a animosidade que havia entre as duas havia desaparecido e, para espanto de todos, tinham se tornado grandes amigas.”
Luis Roberto Scholl