Conforme narrado no evangelho de Mateus (27:22), Pilatos, antes de determinar a crucificação, fez a seguinte pergunta: Que farei então de Jesus, chamado o Cristo?
Essa pergunta deveria ser feita por todos os que se dizem Cristãos. Que estamos fazendo do Mestre Divino, no campo das lições diárias?
Não aqueles minutos semanais quando freqüentamos uma casa religiosa e onde fazemos as nossas orações. Que fazemos de prático, em nossas ações diárias, no lar, no trabalho e na nossa atividade social? Como agimos diante de um parente difícil? Como agimos ante as dificuldades e sofrimentos dos nossos semelhantes?
Muitos de nós imitamos os beneficiários da Judéia que levantaram as mãos-postas no instante das vantagens, mas fugiram espavoridos, do sacrifício e do testemunho. Somos cristãos apenas no momento de pedir as bênçãos, mas fugimos do dever da reforma íntima, da prática do amor ao próximo e da caridade cristã.
Grande parte de nós procede à moda de Pilatos, que pergunta solenemente quanto ao que fará de Jesus e acaba crucificando-o, com despreocupação do dever e da responsabilidade.
Poucos de nós imitam Simão Pedro que, após a iluminação no Pentecostes, segue-o sem condições até à morte. Raros copiamos Paulo de Tarso que se ergue, na estrada do erro, colocando-se a caminho da redenção, até o fim da luta.
Não basta fazer de Jesus o benfeitor que cura e protege. É indispensável transformá-lo em padrão permanente de vida, por exemplo e modelo de cada dia.
E essa ação é para agora. É importante que não transformemos as nossas boas ações em intenções para o futuro: quando eu tiver um emprego melhor, estiver melhor de vida, meus filhos crescerem, eu terminar a faculdade ou quando eu me aposentar; quando eu tiver mais tempo irei me dedicar às questões espirituais e fazer a caridade.
Façamos o que nos é possível e o que devemos fazer hoje, agora, de imediato. Perante nossa consciência e a Deus nos apresentamos sempre com aquilo que fizemos e não com aquilo que gostaríamos de ter feito e não fizemos pelos vários motivos que, à luz do nosso falho julgamento, parecem justos.
Enquanto Jesus espera e luta pela vinda do reino de Deus na Terra, permanece seu calvário. Porque o calvário do Cristo está no anseio com que Ele aguarda que cada habitante desse planeta viva na plenitude o seu exemplo.
(Texto baseado no livro Vinha de Luz
Emmanuel/Chico Xavier - Editora FEB)
Publicado no Seara Espírita, ano IV, nº 41, abril 2002.